Trás-os-Montes visto pela comunicação social
A SIC, com a sua nova rubrica depois do Jornal da Noite – Histórias com gente dentro, abordou hoje uma jovem do distrito de Bragança que nunca vira Lisboa nem o mar. Infelizmente, estas são as únicas histórias que levam a comunicação social ao topo do país. A imagem que passa para o resto da população portuguesa, vulgo, habitantes do litoral, é a de gente sem cultura, que não tem acesso às novas tecnologias nem tão pouco acessibilidades e vivem em aldeias, porque cidades, por lá não existem! Errado! Completamente errado! Bragança, a capital de distrito, tem evoluído bastante nestes últimos anos. É certo que a tão esperada auto-estrada transmontana tarda em chegar e que o IP4 continua demasiado perigoso, mas isso não impossibilita que o IPB continue a ter cada vez mais alunos e que a barragem do Azibo esteja cada vez mais verde e repleta de gente. Por isso, aquela zona do País, esquecida pelos políticos e cidadãos da capital não é aquilo que a comunicação social tenta mostrar, mas sim uma zona do País com enorme potencial que continua à espera da sua oportunidade para se mostrar.

Lembro-me do dia em que cheguei ao litoral e respondi à pergunta típica dos meus colegas, “E tu, vens de onde?”, “Macedo de Cavaleiros”, respondia eu. Todos eles faziam uma nova pergunta, “Isso fica perto de Braga não é?”, “Não, Bragança!”, “Ah! É a mesma coisa.”.
Gostava de um dia ligar a televisão e ver, finalmente e pela primeira vez, a comunicação social referir-se a Trás-os-Montes como uma das várias zonas do País e não como “aqueles que vivem em aldeias isoladas, sem cultura que só servem para votar”.




























